Por uma vida menos ordinária

Junho 25, 2012 at 4:30 pm (Uncategorized)

MANUAL DO SENSO COMUM NO FACEBOOK: LIÇÃO 1 – A SEMANA

Segunda-feira: Começo da semana. Hora de postar comentários nostálgicos sobre os últimos três dias anteriores, sempre repletos de melancolia e lamentos pelo fim da vida fácil que é o final de semana. Manifestações de ódio contra o dia também virão bem a calhar.

Terça: Dia sem grande relevância no calendário do senso comum. Tá valendo comentários meteorológicos e vídeos e músicas que vão fazer você ficar bem na foto.

Quarta-feira: dia de comentários sobre futebol! Vale ofender o juiz, a outra torcida, o goleiro, jogadores, enfim, reproduzir clichês típicos dos embates futebolísticos e dos times envolvidos, etc. O importante é mandar vários posts durante toda a duração do jogo e se mostrar antenado em tempo “real”.

Quinta-feira: Véspera de sexta. É chegada a hora de fazer o esquenta para o maior chavão semanal do FACEBOOK: a sexta-feira. Então, mande um “tá chegando sexta”, “mais um dia para eu ser feliz” e por aí vai.

Sexta-feira: é hora de saudar o dia mais importante de nossas vidas, a sexta-feira santa (ou não) de cada semana. Pode chamar de “sua linda”, contar em detalhes o que vai rolar a partir deste belíssimo dia no final de semana, preparativos para night ou programas com amigos (tipo: “indo passar chapinha no cabelo para ficar gatíssima para a balada no XYZ“, “jantar na companhia de amigos no Restaurante ABC não tem preço!”). Enfim, é a maior concentração por metro quadrado de clichês facebookianos. O assunto é tão unânime que não tem como errar.

Sábado: Vale postar fotos das façanhas de sexta, dizer que nunca se divertiram (ou beberam) tanto e abusar das hipérboles. Fotos de copos de cerveja e botecos, auto-fotos de figurinos em baladas e festas e mais menções às refeições e eventos com amigos e familiares continuando valendo muitos pontos. Se o tempo estiver ruim, frio ou chuvoso as garotas podem dizer que não tem vontade de sair da cama e que à tarde vão pegar mais um soninho, com cobertinha, etc.

Domingo: Uma espécie de resumo e “melhores” momentos dos dias anteriores: posts sobre condições climáticas, jogos de futebol, eventos que rolaram ou estão rolando no final de semana, e é claro, as garotas podem dizer que vão dormir, nos contando essa grande realização com riqueza detalhes.

TOP FIVE DA SEMANA

– Qualquer evento na Green House;

– Reunião do Coletivo C.H.U.V.A. com Hélio e Nina;

– Weakerthans – “Left and Leaving”

– Compor musiquinhas tolinhas para o meu projeto solo ou duo;

– O conceito de independência

 

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Metallica em São Paulo – 31/01

Fevereiro 19, 2010 at 11:58 pm (Uncategorized)

Uma noite memorável pra mim que sou fãozão do Metallica desde moleque.

Segue o relato do show, já publicado no Orelhada do chapa Rubens Herbst na semana passada:

Ao contrário da apresentação de sábado (30), o terceiro e último show da “Death Magnetic Tour” no Brasil começou com chuva. A banda de abertura, o Sepultura, entrou no palco às 19h em ponto e fez um show competente que privilegiou músicas dos discos “Chaos A.D.”, “Arise” e “Beneath the remains” e algumas canções dos últimos trabalhos. Às 20h10, o quarteto brasileiro terminou e imediatamente já começou a troca de palco. A chuva continuava. Alguns minutos passam do horário previsto para a entrada do Metallica e o público, aflito, começa a chamá-lo. Foi aí que, em uma curiosa coincidência, o céu passa a exibir raios entre as nuvens, exatamente como na capa do clássico “Ride The Lightining” (1984).

Às 20h45, as luzes se apagaram e começa a clássica e emocionante introdução usada nos shows da banda: “Ecstasy of Gold”, de Ennio Morricon,e com imagens nos telões do clássico filme de guerra “Johnny Got His Gun” (1971). Foi aí que, como mágica ou por ordem dos deuses, a chuva parou.

O palco impressiona: uma estrutura gigante com dois andares, 8 ou 10 microfones espalhados ao longo dela e um mega-telão atrás. Apesar de grande, o palco não é alto e dá para ver perfeitamente os músicos em ação. E como em todos os shows da turnê, os caras entram com o clássico “Creeping Death”. O estádio treme e o público canta junto. Na seqüência, emendam “Ride the Lightining”.

Aí é que veio a primeira surpresa: a banda tirou da cartola “Fuel”, do pouco cultuado disco “Reload” (1997). A música ganha uma nova cara ao vivo, com muito peso e a banda perfeitamente entrosada. O calor e receptividade do público é tamanho que estes senhores, em sua maioria beirando os 50 anos, são só sorrisos.

Pequena pausa para conversar com o público. James Hetfiled conta que seus amigos do Sepultura disseram que os brasileiros gostam é de peso. E pergunta; “Do you want heavy?” O público responde e o vocalista completa dizendo “se você quer peso rapaz, o Metallica te dá peso!” E começa “Sad But True”, do clássico “Black Album” (1991). O estádio inteira pula. Depois disso, as luzes se apagam e James surge na parte superior do palco empunhando um violão, que puxa a bombada e, ao que parece, inédita na turnê brasileira: “The Unforgiven”. Ao longo da música, Hetfiled intercala violão e guitarra com maestria.

Depois disso, vem a introdução de “That Was Just Your Life”, seguida por “The End of The Line”, ambas do mais recente “Death Magnetic” (2008). O público responde em êxtase e canta as letras das músicas novas com precisão. Todos os músicos se movimentam muito durante o show, trocam de posições e cobrem toda a extensão do palco usando todos os microfones posicionados. A destreza impressiona e a banda executa com perfeição as muitas transições e nuances destas duas longas e complexas composições.

As luzes se apagam novamente. Hetfiled surge outra vez no palco de cima e manda a introdução de “Welcome Home (Sanitarium)”, do clássico absoluto “Master of Puppets” (1986). O público responde insanamente. A banda provavelmente nunca soou tão bem executando seu material antigo.

Hetfiled então pede desculpas por não terem vindo da última vez, como prometeram. Depois, pergunta se o público aprovou “Death Magnetic”. O estádio responde positiva e efusivamente. As palavras soam quase como uma confissão do fracasso de crítica e vendas em torno do disco “St. Anger” (2003), álbum que remete a um período delicado da banda e que parece ter ficado para trás. A banda toca a nova “Cyanide”, que ao vivo fica ainda mais impressionante do que no disco, de onde sai sai também “My Apocalypse”.

Outra vez, as luzes desaparecem. Ao som de metralhadoras, chamas explodem do palco. Quem estava perto pôde sentir o calor no rosto. Realmente impressionante.

Hetfiled aparece em cima do palco outra vez e manda a introdução de “One”. Na parte pesada do final da música, as câmeras simulam a mesma fotografia do clipe da música. Com o público completamente dominado, a banda toca “Master of Puppets”. No final da música, Hetfield vai novamente ao andar superior do palco e, ao som de risadas insanas, estende suas mãos simulando a imagem da capa do disco em que mãos puxam cordas sobre um cemitério. Exatamente como na música, James faz às vezes de “mestre” e as pessoas no estádio representam os “fantoches” dominados.

Mas a porrada não termina. O pique dos caras é invejável e começa a introdução acústica de “Fight with Fire” até que tudo explode. Sem dúvida, a música mais porrada do show. Depois disso, luzes se apagam e Kirk Hammet aparece sozinho na frente do palco improvisando. O público urra. Em seguida, o guitarrista puxa a introdução da música mais calma da banda, “Nothing Else Matters”. Ao final do solo, sentado ao chão, Hetfield tem apenas as suas mãos, mostradas em close no telão.

É aí que Hetfield inicia “Enter Sandman”, momento em que os fãs mais antigos (que já não se impressionam com o maior hit dos caras) mordem a língua. A explosão inicial da música é acompanhada de fogos sincronizados e a banda cresce com uma força e peso inéditos até então. O estádio vem abaixo, com cerca de 50 mil pessoas cantando em uníssono. Emocionante. Justamente no auge do show, a banda deixa o palco.

Depois de poucos minutos, no inevitável bis, Hetfiled explica que aquele é o momento do set em que eles homenageiam as bandas que justificam a existência do Metallica. “Helpless”, do Diamond Head, é executada com certa tranqüilidade como que uma preparação para a porrada “Hit the Lights”, do “Kill ‘Em All” (1983). A banda simula deixar o palco e James faz-se de desentendido:”Está faltando alguma música?”. O estádio responde: “Seek and Destroy”.

O cantor diz: “Ok, vamos tocar esta pra vocês. Mas vamos precisar da sua ajuda. Vamos fazer história aqui, hoje. O Metallica tem os melhores fãs. Queremos que vocês dêem 110% e cantem e pulem conosco, então quero pedir que todas as luzes fiquem acesas”. Vem um novo clímax e a banda transpira paixão e alegria ao tocar um dos seus primeiros clássicos, que já conta com 27 anos. Os quatro se abraçam e, um a um, agradecem o público até deixarem o palco. Foram 2 horas de um show inesquecível.

Durante determinado momento do show, Hetfield indagou o público: “Vocês estão vivos?” A resposta é óbvia. Depois de presenciar uma das minhas bandas favoritas ao vivo, ele não poderia ser mais feliz ao resumir a sensação de êxtase de ter participado de tudo isso: “Sim, é tão bom estar vivo”.

O bagulho tava fróida!

Por hoje é isso!

Até,

Z

TOP FIVE DA SEMANA

– Show do Metallica em Sampa (dã) junto com os amigos Fischer e Fischinha;

– Carneiro na casa do Marcus e Gerusa junto com os anfitrioes, CH, Silvério e a Sardenta;

– Comprar cd´s na Amazon por troco de bala;

– Terminar a cozinha do apê;

– Ir para a praia com a Sardenta.

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Os melhores de 2009 (parte I)

Janeiro 12, 2010 at 6:15 pm (Uncategorized)

O Dinosaur lançou o melhor disco de 2009.2009 foi um ano supimpa. Muitos lançamentos e coisas legais rolando. Neste calendário também rolaram surpresas, afinal, sinceramente não imaginava que o Polvo voltasse à ativa depois de uma década com um disco tão bom como “In Prim”, assim como o The Life and Times lançasse um segundo full lenght tão interessante quanto é esse “Tragic Boogie”. 

Os escoceses do Idlewild puseram na praça o seu 6º disco, o maravilhoso “Post-Eletric Blues”. O Sonic Youth acertou a mão e gravou um dos discos mais memoráveis e “pegáveis” desde “Goo” (90) e “Dirty” (92). Lindo. E não foi diferente com o quinto (e melhor) disco solo de Jeremy Egnik (do “cult” Sunny Day Real Estate). Na minha lista deste ano também entrou gente que não tinha entrado até então, como o hypado (ainda é?) Artic Monkeys que fez bonito no maduro e soturno “Humbug”.

Mas, vejam como são as coisas, nem só de surpresas boas o ano passado marcou. Confesso que esperava que o Them Crooked Vultures seria o disco do ano. É claro que a estréia dos caras não é ruim (eles até conquistaram a segunda metade do meu Top 20 internacional), mas está longe de ser o “super disco” que a “super banda” parecia ofertar ao público. Bem, talvez a culpa seja toda minha, afinal, quando se junta caras que tocaram nas minhas favoritas, é difícil afastar a expectativa.

O Soulsavers do mesmo Mark Lanegan que já dividiu o palco com Josh Homme (do QOTSA e agora do Them Crooked) fez bonito e ficou entre os Top 10. No mais, Slayer voltou com tudo neste “World Painted Blood”. Porra, os caras já são vovôs e ainda não perderam a (pesada) mão. Brutalidade total o troço.

Mas quem mereceu o primeiro lugar foram os também vovós “indie” do Dinosaur Jr. Seu 9º disco “Farm” é uma coleção de maravilhosas canções no estilo que a banda ajudou a inventar (e tornou a banda um fenômeno “cult”). A formação clássica com Murph, Barlow e Mascis está em sua melhor forma (que lançou em 2007 o igualmente excelente “Beyond”) e disparou gemas pop com os característicos vocais anasalados, solos de arena e aquela “alma” garageira que é a massa sonora da banda. Contrariando todas as previsões, estes dinosauros parecem estar longe de serem extintos.

 No próximo post eu divulgo a minha lista nacional dos melhores de 2009.

Se cuidem e até!

 Z

 –          01 – Dinosaur Jr. – “Farm”

 –          02 – Polvo – “In Prism”

 –          03 – The Life And Times – “Tragic Boogie”

 –          04 – Idlewild – “Post Eletric Blues”

 –          05 – Sonic Youth – “The Eternal”

 –          06 – Jeremy Egnik – “Ok Bear”

 –          07 – Artic Monkeys – “Humbug”

 –          08 – The Decemberists – “Hazards of Love”

 –          09 – Soulsavers – “Broken”

 –          10 – Mastodon – “Crack the Skye”

 –          11 – Dirty Projectors – “Bitte Orca”

 –          12 – Wilco – “Wilco (The Album)”

 –          13 – Slayer – “World Painted Blood”

 –          14 – Them Crooked Vultures – “Them Crooked Vultures”

 –          15 – Flaming Lips – “Embryonic”

 –          16 – Conor Oberst  and the Mystic Valley Band – “Outer South”

 –          17 – Built To Spill – “There is no enemy”

 –          18 – Japandroids – “Post-Nothing” 

 –          19 – Dead Weather – “Horebound”

 –          20 – Jim O´Rorke – “The Visitor”

TOP FIVE DA SEMANA

– Férias;

– Os planos, idéias e projetos para 2010;

– A volta do Soundgarden;

– O clipe e a música de “Cousins” do Vampire Weekend;

– A expecativa para o show do Metallica;

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Amigo secreto da família Bello

Dezembro 9, 2009 at 3:54 pm (Uncategorized)

 

Quando resolvi montar esse blog aqui eu avisei que neste espaço eu era livre e poderia colocar o que eu quisesse.

Pois então, surgiu a necessidade de usar o espaço para divulgar a lista de presentes de um “dos lados” da minha família, os Bellos.

Então, este post é para uso interno e consumo familiar meus eventuais leitores.

Turma,

Segue a lista de presentes da rapeize. Lembro que o valor limite do presente é R$ 50,00.

QUEM O QUÊ
Gabi – Dicionário de inglês/inglês;- Biquíni (com bojo, mais diferentão e “transado”);

– Chapéu de praia.

Miga – Livro “Um toque de clássicos” da Tânia Quintaneiro;- Camisa pólo ou camiseta listrada de malha leve;

– Outro que combine com o Miga!

Rafa – Livro “Amor líquido” de Zygmunt Bauman;- Bermuda de praia discreta, preferencialmente Hering;

– Livro “Superfreakonomics – O Lado Oculto do dia a dia” de Steven Levitt e Stephen Dubner

Pauline – Maquiagem: blush, sombra (cores básicas como preto, cinza, branco, marrom) e rimel preto;- Blusinha básica;

– Brincos de argola.

Tia Tuty – Difusor de aromas da “Botica de banho” (e o refil “canela com alecrim” ou “sinopse”);
Tio Beto – Cinto preto de couro (social);
Tia Leila – Calcinhas;- Camisola;

– Batom.

Tio Benê – Cuecas;- Meias.
Lucão – DVD terceira temporada do “Dr. House”

 

Se cuidem e até,

Z

TOP FIVE DA SEMANA (AFERIDO NOS ÚLTIMOS MESES)

– Faith No More e Jane´s Addiction no Festival Maquinária em São Paulo/SP com a Pauline;

– Ter passado por 30 calendários;

– Móveis e eletrodomésticos de cozinha;

– “Bastardos Inglórios” de Quentin Tarantino;

– Dar um role em Sampa com o Ródris (”Bozo Reagan”) e com a Pauline;

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Quebrando queixos para o Jawbox

Agosto 27, 2009 at 5:08 pm (Uncategorized)

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Depois do recente post sobre o Rollkicker Laydown (e do Burning Airlines há alguns meses atrás) resolvi fechar a trilogia com este aqui. Já publiquei que o Jawbox é uma das minhas bandas favoritas e eu não me canso de ficar com o queixo caído com estes caras. Isso é razão suficiente para eu escrever sobre este quarteto foda de Washington DC. E dessa vez eu caprichei e fiz um troço bem recheado…

Novamente, trata-se de outra banda que não recebeu a atenção que merecia (sei que sempre fico martelando nisso, mas qual seria a graça de escrever sobre algo já notório e hypado? ). No Brasil então…nem se comenta.  Enfim.

O Jawbox começou em 1989 (estreiou nos palcos abrindo para o Fugazi) com o fim do Goverment Issue, antiga banda de J Robbins e lenda local. A banda começou como um trio: J Robbins (voz, guitarra), Kim Coletta (baixo) e Adam Wade (bateria). Em 1990, Bill Barbot entrou para o grupo como segundo guitarrista e vocalista. Logo depois, Wade deixou a banda para tocar bateria com o Shudder to Think. Aí então Zach Barocas se junta a banda compondo a sua formação definitiva até eles encerrarem suas atividades em 1997. jawbox001

Além de alguns compactos e singles, a discografia do Jawbox é composta por quatro álbuns de estúdio: “Grippe” (1991, Dischord), “Novelty” (1992, Dischord), “For Your Own Special Sweetheart” (1994, Atlantic) e “Jawbox” de 1996 (1996, Atlantic). Um ano após o fim da banda a Desoto lançou o ótimo disco póstumo “My Scrapbook of Fatal Incidents” antologia que reúne b-sides, gravações ao vivo, covers e versões (em 1998).

Sua música é freqüentemente descrita como angular, melódica, abrasiva, dissonante e torta (prefiro os adjetivos aos rótulos de pós-hardcore, math-rock ou blah blah blah). A carreira do Jawbox pode ser dividida em duas fases: a fase indie (Dischord) e a fase major (Atlantic).

jawbox2Vale dizer que quando em 1992 J Robbins (voz, guitarra), Bill Barbot (guitarra, voz), Kim Coletta (baixo) e Zach Barocas (bateria) decidiram deixar o selo independente Dischord e assinar com a major Atlantic a banda foi muito criticada. Como se sabe, não é incomum que os fãs mais fanáticos condenem a situação qualificando-a como traição ou qualquer outra expressão que transmita a idéia de comprometer o direcionamento artístico e ideiais do artista em troca dos bolsos cheios.

Os primeiros álbuns que saíram pela Dischord foram bem recebidos e contêm canções bacanas mas, ironicamente (ou não), a fase major é muito mais interessante. Embora seja inegável que Zach Barocas tenha feito muito bem à banda (o cara é um baterista fenomenal), fato é que naquela altura (94) Robbins e Barbot formavam uma dupla de guitarristas/vocalistas com poucos oponentes à altura (talvez páreos somente para a dupla que os apadrinhou – Piccioto/MacKaye do Fugazi).

jawbox-foryourownspecialsweetheartEnfim, esse é o contexto que produziu um dos grandes discos de rock dos anos 90, o terceiro do Jawbox: “For Your Own Special Sweetheart” (disco de #70 de acordo com o Top 100 da Picthfork dos anos 90). O álbum contêm a provável melhor seqüencia de 4 canções de abertura de um disco daquela década. Evidentemente, não é só isso. O disco tem 13 faixas excelentes, sendo que pelo menos metade destas são ESSENCIAIS para quem quer entender alguma coisa de rock alternativo noventista. Ouso resumir o disco nesta música aqui, uma das melhores dos anos 90.  Fácil.

O 4º e ultimo álbum da banda, “Jawbox” também não decepcionou. O primeiro single “Mirrorful” foi muito bem recebido. A versão para “Cornflake Girl” da Tori Amos também tocou bastante na MTV. Em fevereiro de 1997, com a mudança de Barochas para Nova York a banda resolveu terminar.

Em resumo, o Jawbox é uma das bandas que contribuiu para que qualquer artista atual utilize compassos irregulares e estruturas harmônicas não tradicionais e ainda assim possa soar cantarolável e relativamente acessível. Pago um pau.

Se cuidem e até,

Z

TOP FIVE DA SEMANA

– Café Cappuccino com Bauru no “Nosso Empório”;

– Esquenta na casa do Norivas assistindo DVD´s do R.E.M. ,Morrisey e outros;

– O Blog “http://forgettheradio.tumblr.com” só com coisas bacanas;

– Decoração;

– O novo do The Life and Times (“Tragic Boogie”);

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ROLLKICKER LAYDOWN

Agosto 22, 2009 at 11:08 pm (Uncategorized)

rkldar5Essa é para os fãs das coisas do J Robbins (como eu): dizem que o Rollkicker Laydown foi uma versao post-hardcore do Travelling Willburys. O grupo era formado por membros de bandas importantes do cenario de Washington DC como  Government Issue (provavelmente a banda hardcore/punk de DC mais subapreciada), Jawbox, Gray Matter e Wool.

O Rollkicker Laydown era formado pelo guitarrista Tom Lyle (do G.I.), pelo baterista Peter Moffett (tambem do G.I., na epoca no Wool e mais tarde no insuperavel Burning Airlines), pelo vocalista background Geoff Turner (Gray Matter) e por J Robbins no baixo e vocal principal (na epoca guitarrista e cantor do Jawbox).

O projeto durou menos do que um piscar de olhos e deixou duas cancoes gravadas em um compacto lancado no ano de 1993 pela Desoto Records. A gravação foi produzida pelo mago do pos-punk indie americano, Iain Burgess (Big Black e Effigies).

As duas musicas do compacto (“No Voices In The Wire” e “Cut”) lembram mais o Jawbox do que qualquer outro projeto relacionado no currículo dos envolvidos (a primeira chegou ate mesmo a ser executada pelo Burning Airlines anos mais tarde).

Como alguém já balbuciou por ai, quem aprecia o post-hardcore de Washington DC do começo dos 90 deve concordar que o único disco do Rollkicker Laydown é um dos singles mais legais. E esse ninguem ouviu mesmo.

Considerando que será praticamente impossível encontrar o disco para vender (que só saiu em vinil para “complicar” mais ainda as coisas), segue o link pra baixar esta raríssima e fugaz belezinha.

No mais, desculpem-me pela sumida, se cuidem e ate,

Z

TOP FIVE DA SEMANA

– “CQC – Custe o que Custar” da Band;

– Dinosaur Jr. – “Farm”;

– Pegar folga sexta-feira à tarde;

– Compor novas canções com o Alva;

– Tocar “Areia Movediça” com o Sylverdale (musica que compus e cedi para os caras);

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O ressurgimento dos tentáculos do Polvo

Junho 23, 2009 at 9:48 pm (Uncategorized)

polvo

O Polvo sempre foi uma banda que nunca esteve aí pra ninguém. Na verdade os caras sempre se preocuparam com a única coisa que verdadeiramente deveria preocupar todos os músicos: a música. Ponto.

Eles começaram a sua carreira no começo dos anos 90, na cidade de Chapel Hill, North Carolina, América. A turma do hype, setor de embalagem e demais departamentos da crítica musical aponta o Polvo como um dos precursores desse troço chamado “Math Rock” (“rock matemático” em tradução livre). Quem conhece a banda, logo entende que a denominação pretende traduzir a proposta sonora avant-guarde do grupo de adotar estruturas complexas em suas canções, quebra de andamentos, utilizar harmonias dissonantes e melodias modais orientais. Como alguém já disse no passado que “você pode chamar o Polvo de Math Rock mas os números simplesmente não fecham”. Outros chamaram os caras de prog-rock dos anos 90. É como eu sempre digo: “deixemos os rótulos para turma que cuida das embalagens”.

Sei que volta e meia bato nesta tecla, mas a obra do Polvo tem uma qualidade que, se já era rara nos anos 90, nos dias atuais mostra-se totalmente esquecida: a imprevisibilidade. Polvo_InPrism_Package

Polvo é uma palavra que em espanhol que pode significar tanto “poeira” como “sexo”. Todavia, não se vê qualquer sinal de poeira na discografia do Polvo que é formada por 3 Ep´s e 5 discos de estúdio incluindo o novíssimo “In Prism” a ser lançado pela Merge Records no dia 08 de setembro depois de 11 anos sem lançar nada. Mas se, assim como eu, a paciência não é o seu forte dá para conferir uma música nova do disco, a complexa e sensacional “Beggar´s Bowl” aqui.

Sei que nem todo mundo engole essa “doidera” que era a música do Polvo. Eu acho foda e separei esse vídeo para quem concorda comigo poder dar uma conferida (ou para quem ainda não conhece curtir, ou não).

Se cuidem e até,

 Z

TOP FIVE DA SEMANA

– Amar;

– Sagu com creme de baunilha do Restaurante Família Smania;

– O Primeiro Baile Elétrico do Orelhada no Liverpool Snooker Pub com Blasè e Cassim & Barbária;

– Acompanhar as filmagens do filme curta-metragem “Cinemaêutica” de Rodrigo Falk Brum;

– Começar a trabalhar em novas canções do Alva;

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Vendendo o próprio peixe

Maio 27, 2009 at 3:29 pm (Uncategorized)

ALVA 2009_2

Então, além de escrever neste Blog eu toco em uma banda que se chama Alva. Eu, Jean, Lucky e Tiba começamos em maio de 2007. Já tinha tocado com o Lucky e Jean no Fel e com o Lucky na última formação do Butt Spencer. O Tiba tocou no Tormento dos Vizinhos, uma das maiores influências pessoais e que trouxeram grande impacto para que eu resolvesse montar uma banda (isso foi em 95).

Acabamos de lançar o nosso primeiro disco chamado “Saudade do Futuro”. Dá para ouvir algumas músicas do disco no nosso novo MySpace: www.myspace.com/alvasounds .

Todos os preparativos para o show e o Cd fizeram com que eu desaparecesse e não desse mais as caras por aqui, mas acho que vocês entendem, certo?

O Rubens Herbst do ANotícia fez uma resenha bacana do disco, que tomo a liberdade de reproduzir aqui:

“Retrospectiva de fatos que estão pra acontecer

Na vida, tudo é uma questão de escolha. Na música – e no rock -, essa máxima também pode ser aplicada. Por exemplo: existem bandas que passam anos tocando sem criar uma frase, um acorde original; outras suam litros pra conseguir formar um, por vezes duvidoso, repertório autoral; tem aquelas que compõe com facilidade, mas preferem lapidar as músicas no palco antes de gravar; e, finalmente, há quem abra mão dos shows pra burilar a personalidade entre as paredes de um estúdio. Nesse último caso está o Alva.

Formada em 2007 por quatro sujeitos com alta quilometragem na cena roqueira de Joinville (SC) – Rafael Zimath (guitarra e vocal, ex-Butt Spencer), Jean Douat (guitarra, exFel), Lucky (baixo, Sanchez) e Thiago Fiuza (bateria, ex-Tormento dos Vizinhos) -, a banda fez uma opção clara e, de certa forma, corajosa ao se unir: focar em ideias próprias, transformá-las em música e gravar um disco com o mais alto grau de profissionalismo possível. E só então apresentar-se. Isso foi pouco mais de um ano atrás. Agora, o projeto se concretiza, e exatamente como planejado.

“Saudade do Futuro” é o nome do petardo. Não há nada de irônico aí – o disco aponta pra um futuro brilhante que deixará saudades um dia. Por outro lado, o quarteto voltou-se pra trás na hora de gravar. Escolheu o estúdio Solo de Curitiba, único do Sul do Brasil que dispõe de plataforma de gravação analógica, capaz de registrar com a máxima fidelidade o som denso, volumoso e repleto de detalhes das canções.

Basta colocar o CD – parcialmente produzido com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura da Fundação Cultural de Joinville – pra tocar pra se perceber a diferença que o processo fez. Porque, afinal de contas, a própria música do Alva exige essa produção estilo “soco na cara”. O ponto de partida é o hardcore cerebral a la Fugazi, com os riffs matemáticos do Helmet e muitas dissonâncias recolhidos pelo caminho. O trajeto se estende por retratos pouco amigáveis das relações humanas (“Não há volta, não há chance / Não há concerto, não há nada / Diante destas circustâncias, te sugiro que desista”), com resultados que chegam perto da opressão, como em “Acordei Bemol/Diminuto” e “Desista”.

Dito assim, até parece que o Alva é formado por quatro engenheiros que fazem rock’n’roll com réguas e calculadoras em vez de instrumentos. Pois saibam que não há um risco calculado, certas contas parecem não fechar, mas o impacto é preciso. São as quebradas rítmicas vertiginosas, o piano e cordas na instrumental “Nimbo”, o acento pop de “Auto-exílio”, a interferência jazzística em “Dançando sobre o Abismo”, a balbúrdia sônica de “Devaneio”, a delicadeza quase barroca de “Coragem” – esta, aliás, exemplo máximo da capacidade melódica da banda, seja em meio a pancadas, seja entre afagos.

E ao vivo? Bom, isso é uma etapa que começa agora para o Alva. Com o disco finalmente na praça, é hora de criar uma personalidade no palco, o que não deverá ser difícil diante da experiência dos caras e o material que eles têm nas mãos. Na verdade, o maior problema do Alva está justamente no futuro: como superar uma estreia tão impressionante?”.

 O amigo Fabio Raposo, jornalista e produtor do È Rock também escreveu uma resenha sobre o Cd em http://erockjoinville.blogspot.com/ 

É isso, o disco está sendo vendido em shows locais e nas melhores lojas do ramo. Quem comprar o disco ou ouvir as músicas no MySpace e quiser comentar, fiquem à vontade!

Se cuidem e até,

Z

TOP FIVE DA SEMANA

– O disco do Alva ter sido lançado no Don Rock no dia 23/05 com a presença de vários amigos;

– Torta de baunilha com chocolate branco e morango da São José;

– Os cartazes do show do Alva feitos pela Cinthia;

– Participar do É Rock divulgando o show e disco do Alva;

–  Encontrar o Maurício (Ex-Butt Spencer) depois de milênios no show do Alva.

 

 

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Microcampanha para a volta do Kit Kat

Abril 21, 2009 at 3:19 pm (Uncategorized)

kit-kat1
Uma das vantagens de se ter um Blog é que você pode escrever sobre qualquer bobagem ou coisa que der na telha, sem se preocupar de ser taxado de demente ou louco (tal democracia e liberdade praticamente definem o que representa a internet nos tempos atuais).

Que me conhece sabe que, além da música, uma das minhas paixões são os chocolates. E o Kit Kat ocupa uma posição de destaque no meu Top Five geral dos melhores chocolates de todos os tempos (ainda não consegui estabelecer as posições deste Top Five).

Lançado na Inglaterra em 1937 pela Nestlé, o Kit Kat é um chocolate que vende cerca de 47 unidades por segundo no mundo. Os ingleses são os maiores responsáveis pela produção mundial da barrinha, exportada para países da Europa e da América do Sul. Kit Kat chegou ao Brasil em 1994, em apenas uma versão (chocolate ao leite). No mundo, há diversas outras, inclusive uma para ser colocada na geladeira (Kit Kat Chil It) e outra com menta (Kit Kat Mint).

Diversos artigos na internet apontam que esse maravilhoso produto serviu de valioso alimento durante a II Guerra Mundial. Dizem que a chave do sucesso do Kit Kat deve-se, essencialmente, ao fato de ser um produto único que oferece a quantidade certa de chocolate e Crisp Wafer (bolacha wafer) deixando para trás com facilidade “similares” como Bis (da Lacta) e Sem Parar (da própria Nestlé).

Existem duas versões do chocolate, uma da Nestlé e outra da Hersheys, dependendo da localidade do mundo. Pessoalmente, acho a da Nestlé embora a da Hersheys esteja longe de se jogar fora.

Entretanto, infelizmente esse sensacional chocolate deixou de ser fabricado pela Nestlé do Brasil há alguns anos atrás. Não se tem informações precisas que revelem os motivos desse crime. Todavia, dada a popularidade do produto no Brasil (e no mundo) ao que parece a razão não foi o volume de vendas que parecia ir muito bem (todo que já experimentou é louco por esse troço).

Já li textos que apontam que a marca pertence a Hersheys o que teria levado a Nestlé no Brasil a deixar de comercializar o chocolate. Segundo tais fontes, a Hershey já estaria em processo de aprovação para comercializar no Brasil novamente o Kit Kat.

Independente disso, ajude essa nobre causa de trazer de volta o Kit Kat para as prateleiras do Brasil. Voce pode ligar gratuitamente para a Nestlé (0800-7702411) ou enviar um email para falecom@nestle.com.br.

Se cuidem e até,

Z

TOP FIVE DA SEMANA

– O tradicional anual “Churrasco Santo” organizado pelo Lucky na sexta-feira santa da Páscoa;
– Passar o feriado com a Pauline e comer o “Frango a la Polly” preparado por ela;
– Ouvir todos os discos do Nirvana na seqüência e tocar “Breed” com o Alva no ultimo ensaio;
– The Dismemberment Plan – “Change”;
– Riddle Of Steel – “Got This Feeling”;

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Autolux faz promessas para este ano

Abril 16, 2009 at 3:19 am (Uncategorized)

autolux

O Autolux é um trio FODIDO (se você o conhece, imagine o Marcos Maia falando. Esta é a entonação) de Los Angeles, Califórnia, EUA, Planeta Terra. Eles começaram suas atividades em 2000 e a banda é formada por Eugene Goreshter (voz e baixo), o ex-Failure Greg Edwards (na guitarra e vocais) e pela baterista (e vocal) Carla Azar.

Depois de chamar a atenção do produtor T-Bone Burnett durante um show da banda, os caras assinaram com a DMZ Records e lançaram em 2004 o seu primeiro (e ate agora único) álbum o “Future Perfect”. O disco é perfeito e outra vez ninguém percebeu.

Primeiro disco da banda merece ser ouvido.

Primeiro disco da banda merece ser ouvido.

 

Em 2005 o queixo de Trent Reznor do Nine Inch Nails também caiu ao vê-los ao vivo razão pela qual o sujeito convidou a banda para abrir os shows da turnê americana de sua banda (época do também memorável “With Teeth” do NIN).

Achei que a banda tinha acabado depois disso (talvez tivesse mesmo) mas soube hoje que os caras estão preparando um disco novo para este ano (que já foi batizado: “Transit, Transit”). Aqui peço licença para abrir um brevíssimo parênteses (você vai entender depois):

Para quem não sabe, eu sou participante honorário do Programa É ROCK na Radio UDESC. Assim, pelas próximas duas semanas estarei cobrindo o amigo Rubens Herbst e levando coisas bacanas para tocar no Programa (Rubens você pode pegar ferias quando quiser). No Programa que vai ao ar neste sábado (91.9 FM) as 20:00 e que tem reprise no domingo as 17:00 eu vou tocar duas faixas do Autolux então se você não resolver baixar tudo que eles lançaram (e ainda não lançaram) na net e quiser ouvir musica como os antigos costumavam fazer (na radio), make yourself confortable. Fecho assim o parênteses.

Se você gosta de musica marcante e inventiva e ainda não conhece o Autolux deveria se auto-penetenciar (eu tento me livrar dos trocadilhos mas ele sempre aparecem, juro que é sem querer) em segredo ou então assistir os clipes abaixo, baixar ou comprar o disco assim que puder e ser feliz como eu sou toda vez que ouço estes caras.

Se cuidem e até,

 

Z

 

TOP FIVE DA SEMANA

– Pizza Supreme do Pizza Hut;

– Ganhar um monte de chocolate na Páscoa;

– Branch Manager – “Anything Tribal”;

– Greg Dulli – “Amber Highlights “;

– Voltar a gravar o É ROCK na radio UDESC;

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