Memórias do suor e genialidade do Rocket From The Crypt

Março 26, 2009 at 3:11 pm (Uncategorized)

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Alright?

 

Bem, dessa vez eu vou ser curto e grosso assim como o banda objeto deste post (na real, tô cheio de coisas pra fazer e tá foda de tempo!).

O Rocket from the Crypt é uma banda estadudinense formada em 1990 e que esteve na ativa até o ano de 2005. Lançaram 11 álbuns, 2 Ep´s e incontáveis compactos em vinil de uma mistura original e empolgante de punk´ n´roll, indie rock, surf music e rockabilly sempre acompanhada de uma seção de metais (com exceção do primeiro disco, em que eram apenas um quarteto). O RFTC era ao mesmo tempo visceral e marcante, festivo e barulhento. Novamente, trata-se de mais uma das bandas mais subapreciadas dos anos 90.

A banda gravou vários discos essenciais, dentre os quais eu destaco “Hot Charity/Cut Carefull and Play Loud” e “Scream, Dracula, Scream! (ambos de 1995), “Rocket From The Crypt” (de 1998) e “Group Sounds” (de 2001).

Bem, o quão legal é uma banda que anuncia que seus fãs com tatuagens da banda podem assistir shows de graça pelo resto de suas vidas? È uma pena que eles acabaram, porque tava pensando em fazer uma tatoo deles…

Chega de papo e vejam à cores como estes caras comandavam nos clipes de, respectivamente, “On a Rope”, “Born in ´69”, “Young Livers”, “I Can´t Feel My Head” e “Break It Up”.

Abs,

Z

 

 

 

TOP FIVE DA SEMANA

 

– Decemberists – “Hazards Of Love” (Valeu Norivas);

– Os Depira – “Ao vivo no Liverpool”;

– Qualquer coisa da Kopenhagen;

– Tomar uma gelada com o Mala em Floripa;

– Voltar a estudar canto com o Jean Sabatovicz;

 

 

 

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A crise mundial, o mercado de cd´s e a chamada arqueologia musical

Março 17, 2009 at 7:35 pm (Uncategorized)

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Que o Brasil tem a maior taxa de juros do planeta todo mundo sabe. Que nossa nação ocupa posições de destaque nos rankings dos países com maiores índices de corrupção também não é novidade para quem quer que seja. A notícia de que o Brasil tem a 2ª maior carga tributária do mundo também não vende mais jornais atualmente. Agora, não sei se a turma já se tocou que os discos (leia-se, para efeito deste post, os compact discs) neste país que é bom de rankings são um dos mais caros do mundo.

Depois de vários testes, experiências e pesquisas eu cheguei a conclusão de que, em matéria de som (qualidade, ambiência e “profundidade”), dentre o CD, LP e o MP3 o melhor formato é sem dúvida o antigo “Long play”, o bom e velho vinil. É claro que isso exige um equipamento bom o que sempre foi difícil achar no Brasil, mas trata-se de uma discussão antiga e que rende ensaios científicos e trabalhos de conclusão de curso, eu sei*. Talvez em breve eu faça um post só sobre isso (acho que o Lucky e o Maia iam gostar).

O problema é que, a não ser que você seja filho de algum magnata, pessoas que cultivam hábitos compulsivos no que se refere a compra de discos e materiais de bandas e artistas novos (“culpado” – eu confesso) não tem como sustentar uma coleção de vinis. Isto porque um LP importado (você já sabe que há anos muitos clássicos e novidades não existem neste formato em edição nacional) custa por baixo uns R$ 50. Então, se você gosta muito de música e de pesquisar, fuçar e ir atrás de coisas novas ou velhas (o que eu chamo de “arqueologia musical”) fica inviável pagar as contas e comprar vááários títulos em vinil. Beleza, tem bastante coisa barata em sebos e afins, mas você sabe que as pérolas e clássicos em versão 180 gramas sempre custam mais, não é?

Ah, mas o Mp3 não custa nada e dá pra baixar de graça a maior parte das bandas e artistas que tem acatado a tendência mundial de disponibilizar seus trabalhos na rede mundial (assim como os outros artistas e bandas que não adotaram essa linha…). Na minha opinião, trata-se de uma ferramenta muito bacana que serve especialmente para conhecer trabalhos de bandas e artistas novos. 

A coisa toda é que eu sou dos tempos pré-internet, época em que só existia sexo ao vivo e não virtual e que, em matéria de música, você tinha que penar um bocado para descobrir coisas novas, pesquisar em revistas e fanzines e aguardar um mês para chegar aquele cd novo importado. Tirando o romantismo próprio de todo saudosismo, a música era dotada de um componente físico, do tato. Você tinha interesse na capa, encarte e não apenas em ouvir a música. Não bastava ouvir porque, por mais estranho que isso possa soar, você também queria “tocar” aquilo que você estava ouvindo.

Nesse ponto, o vinil também é o mais legal: capa e encarte grandes, etc. Por outro lado, afora a questão do preço já abordada acima, o problema do vinil é a mobilidade. Não dá para tocar no som do carro e dá um puta trampo levar uns 30 discos para ouvir na praia na temporada.

 

Por isso tudo, como colecionador e fã de música adotei o CD como o formato com o melhor custo benefício: tem o lance “físico”, é de fácil mobilidade e não é lá muito caro.

 

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Você encontra CD´s usados por preços atrativos na internet e sebos de R$ 5 à R$ 20. Agora vejam só: na América (sempre lembro do Jean Douat falando assim) você encontra CD´s usados (importados, naturalmente) por preços ridículos. A Amazon/CDNOW vende “disquinhos prateados” usados por US$ 0,01, isto é, um centavo de dólar (mais US$ 2,98 de postagem interna de envio, não internacional). Isto é, você consegue encontrar títulos que custariam em reais algo como R$ 6 ou R$ 7 com a diferença de serem importados e, na maioria, indisponíveis no Brasil em edição nacional.

 

Você pode comprar o divertidíssimo disco homônimo do Rocket From The Crypt de 98 por US$ 0,01, o sensacional debut do Smashing Pumpkins por só US$ 0,49 e o 2º disco mais vendido da história fonográfica, “Back In Black” por apenas US$ 0,72. gish

 

É lógico que o mercado de usados nos EUA é gigante e tem muita gente de lá “queimando” a coleção na internet por preço de banana e fazendo a alegria dos colecionadores, o que explica os preços dos CD´s por lá.

Enquanto isso, deste lado do Equador, o Brasil continua tendo a maior taxa de juros, a 2ª maior carga tributária do mundo, gaugando posições em matéria de corrupção e dificultando a vida dos colecionadores amantes da arqueologia musical. (suspiro) Ai..ai…

Se cuidem e até,

Z

TOP FIVE DA SEMANA

– Assistir “De Volta para o Futuro II” com a Pauline;

– “Once” de John Carney;

– A discografia completa do Tormento dos Vizinhos estar finalmente disponibilizada no Demos para Download;

– Bombons Rafaello da Ferrero;

– Sylverdale – “Volumes”;

* O Blog http://www.vinilnaveia.blogspot.com/ traz textos didáticos e detalhados acerca da polêmica Vinil Vs. Cd.

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Fé nunca mais outra vez

Março 12, 2009 at 4:08 pm (Uncategorized)

faithnomore_thumb11Quase onze anos após o anúncio do seu fim, no dia 24 de fevereiro deste ano o Faith No More noticiou uma reunião para excursionar na Europa. Não há notícias precisas acerca de qual será a formação da banda nesta “versão 2009”, muito embora seja praticamente loucura especular que a banda liderada pelo baixista Billy Gould ousasse entregar o microfone para outra pessoa que não fosse o insano Mike Patton.

O ex-vocalista e homem de dezenas de projetos musicais Patton disse no último ano que duvidava que uma reunião fosse possível, embora não a descartasse (o que significa dizer o mesmo que nada no idiosincrático discurso típico do sujeito). Em 2006, Mike Bordin, o homem que segura as baquetas do FNM,  disse que a cada quatro ou cinco anos algum executivo “que pensa que pode mudar o mundo, chega com uma maleta cheia de dinheiro e nos apresenta uma oferta maluca”. Teriam comprado a volta dos caras? Ouse supor.

Para os mais desavisados, o Faith No More foi formado na cidade de São Francisco, Califórnia no ano de 1982 e ainda hoje é tida como uma das maiores bandas de rock dos anos 90. De uma maneira didática, a história do grupo pode ser dividida em duas fases: a fase Pré-Mike Patton quando Mike “The Man” Morris e Chuck Mosley comandaram os vocais, e a fase Pós-Mike Patton quanto o então moleque de 18 anos assumiu o posto de front man, em 1988, tornando-se a figura mais emblemática da banda.

No Brasil, o FNM “emplacou’ (sempre lembro do Marcos Maia fazendo menções jocosas desta expressão) hits como “Epic”, “Falling to Pieces” (ambos do bombado “The Real Thing” de 1989) e “Easy” (cover do The Commodores, liderado pelo Rei da música baba Lionel Richie e que saiu em algumas edições do disco do FNM de 1992, o incompreendido “Angel Dust”). O videoclipe de “Epic” tocou até dizer chega na MTV brasileira e a banda alcançou o status de banda de rock “grande” por aqui com uma apresentação no Rock In Rio.

O Faith No More é outra influência pessoal muito marcante na minha auto-biografia musical. Toda vez que penso na discografia dos caras, em especial a partir do momento em que Patton assumiu os vocais, sempre me vêm à cabeça como os caras estavam à frente da época, desafiando os padrões musicais vigentes. Sempre prezei por artistas e bandas que tivessem alguma ousadia e procurassem inovar o campo das idéias. Por isso, o FNM foi, sem dúvida, uma das grandes bandas das últimas decadas.

Por outro lado, é fato que a consequência direta desse pioneirismo é de que, muitas vezes, a banda acabou sendo incompreendida e não alcançou o sucesso ou mesmo respeito por parte do público e crítica que poderia ter conquistado.

42221Nessa linha de raciocínio, “Angel Dust”, o 4º e melhor disco da banda, é provavelmente o disco mais subapreciado dos anos 90.

Esta obra prima tem sim, apelo comercial limitado, mas a sua entranha beleza (daí porque o título e a capa do disco) poderia ter sido melhor registrada nos anais da história e da cultura popular na década passada. “Angel Dust” é o “Veludo Azul” ou “O iluminado” do FNM e parece que poucos entenderam isso. Obviamente, deve se reconhecer que não é um disco fácil que “te pega” na primeira audição mas quem ousa dizer diferente de clássicos como “Trout Mask Replica”, “Physical Graffiti” ou “Sgt. Peppers”?

Um dos méritos do disco (e da banda em um contexto geral) é a sua diversidade mantendo ainda assim grande coerência. Artistas sabem que o equilíbrio entre esse binômio não é tarefa fácil. Afinal, a linha que separa o coeso do espalhafatoso é muitas vezes tênue e a maioria prefere apostar no seguro.

É claro que, Patton além de cantar como poucos no rock atual, variava absurdamente suas linhas vocais. Imagine o impacto e os pontos de interrogação que surgiram, quando “a banda de Epic” lançou “Mid-Life Crisis” como seu primeiro single de Angel Dust em 92. Vocais Guturais que beiram o Death Metal e uma letra que fala de abuso ás crianças? A fórmula para um hit certo, não é?

A faixa seguinte, a balada “RV” é uma espécie de monólogo do ponto de vista de um sujeito de meia-idade amargo e que vive de maneira depressiva em seu trailer.

A funk e barulhenta “Be Agressive” é claramente uma ode ao sado-masoquismo e outras práticas sexuais bizarras e tem seu conceito reforçado com os backing vocais de cheersleaders no refrão (as lideres de torcida são típicas e conhecidas fantasias sexuais do imaginário norte-americano).img1

E ainda assim tem-se as maravilhosas “Caffeine”, “Smaller and Smaller”, “Crack Hitler”, “Kindergarten” e a belíssima “A Small Victory” que emula modos orientais em uma sensacional letra de amplas e variadas interpretações. Em resumo, não há um segundo fraco ou mediano no disco inteiro.

 

O álbum encerra com uma versão instrumental da suave “Midnight Cowboy”, música tema do clássico filme de John Schlesinger e que, absurdamente, faz todo o sentido do mundo depois do amontoado de doideras, colisão de gêneros e letras esquisofrências que representam essa memorável jornada que é “Angel Dust” do Faith No More.

 

Quem sabe depois eu resolvo escrever alguma coisa sobre o sensacional “King for a Day…Fool for a Lifetime” de 1995?

 

Ah, e obrigado àqueles que escreveram me cobrando atualizações, às vezes uma pressãozinha ajuda a tirar o traseiro da cadeira.

 

Abraço à todos!

 

Z 

 

TOP FIVE DA SEMANA

 

– Faith No More – “Angel Dust”;

– A certeza de que preciso apenas mandar os lençóis para a lavanderia, mas não a consciência;

– O sorvete de côco edição especial Fruttare da Kibon;

– A sensação de quando o domingo não se parece com domingo (caso deste útlimo);

– Army Of Anyone – “S/T”;

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