Quebrando queixos para o Jawbox

Agosto 27, 2009 at 5:08 pm (Uncategorized)

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Depois do recente post sobre o Rollkicker Laydown (e do Burning Airlines há alguns meses atrás) resolvi fechar a trilogia com este aqui. Já publiquei que o Jawbox é uma das minhas bandas favoritas e eu não me canso de ficar com o queixo caído com estes caras. Isso é razão suficiente para eu escrever sobre este quarteto foda de Washington DC. E dessa vez eu caprichei e fiz um troço bem recheado…

Novamente, trata-se de outra banda que não recebeu a atenção que merecia (sei que sempre fico martelando nisso, mas qual seria a graça de escrever sobre algo já notório e hypado? ). No Brasil então…nem se comenta.  Enfim.

O Jawbox começou em 1989 (estreiou nos palcos abrindo para o Fugazi) com o fim do Goverment Issue, antiga banda de J Robbins e lenda local. A banda começou como um trio: J Robbins (voz, guitarra), Kim Coletta (baixo) e Adam Wade (bateria). Em 1990, Bill Barbot entrou para o grupo como segundo guitarrista e vocalista. Logo depois, Wade deixou a banda para tocar bateria com o Shudder to Think. Aí então Zach Barocas se junta a banda compondo a sua formação definitiva até eles encerrarem suas atividades em 1997. jawbox001

Além de alguns compactos e singles, a discografia do Jawbox é composta por quatro álbuns de estúdio: “Grippe” (1991, Dischord), “Novelty” (1992, Dischord), “For Your Own Special Sweetheart” (1994, Atlantic) e “Jawbox” de 1996 (1996, Atlantic). Um ano após o fim da banda a Desoto lançou o ótimo disco póstumo “My Scrapbook of Fatal Incidents” antologia que reúne b-sides, gravações ao vivo, covers e versões (em 1998).

Sua música é freqüentemente descrita como angular, melódica, abrasiva, dissonante e torta (prefiro os adjetivos aos rótulos de pós-hardcore, math-rock ou blah blah blah). A carreira do Jawbox pode ser dividida em duas fases: a fase indie (Dischord) e a fase major (Atlantic).

jawbox2Vale dizer que quando em 1992 J Robbins (voz, guitarra), Bill Barbot (guitarra, voz), Kim Coletta (baixo) e Zach Barocas (bateria) decidiram deixar o selo independente Dischord e assinar com a major Atlantic a banda foi muito criticada. Como se sabe, não é incomum que os fãs mais fanáticos condenem a situação qualificando-a como traição ou qualquer outra expressão que transmita a idéia de comprometer o direcionamento artístico e ideiais do artista em troca dos bolsos cheios.

Os primeiros álbuns que saíram pela Dischord foram bem recebidos e contêm canções bacanas mas, ironicamente (ou não), a fase major é muito mais interessante. Embora seja inegável que Zach Barocas tenha feito muito bem à banda (o cara é um baterista fenomenal), fato é que naquela altura (94) Robbins e Barbot formavam uma dupla de guitarristas/vocalistas com poucos oponentes à altura (talvez páreos somente para a dupla que os apadrinhou – Piccioto/MacKaye do Fugazi).

jawbox-foryourownspecialsweetheartEnfim, esse é o contexto que produziu um dos grandes discos de rock dos anos 90, o terceiro do Jawbox: “For Your Own Special Sweetheart” (disco de #70 de acordo com o Top 100 da Picthfork dos anos 90). O álbum contêm a provável melhor seqüencia de 4 canções de abertura de um disco daquela década. Evidentemente, não é só isso. O disco tem 13 faixas excelentes, sendo que pelo menos metade destas são ESSENCIAIS para quem quer entender alguma coisa de rock alternativo noventista. Ouso resumir o disco nesta música aqui, uma das melhores dos anos 90.  Fácil.

O 4º e ultimo álbum da banda, “Jawbox” também não decepcionou. O primeiro single “Mirrorful” foi muito bem recebido. A versão para “Cornflake Girl” da Tori Amos também tocou bastante na MTV. Em fevereiro de 1997, com a mudança de Barochas para Nova York a banda resolveu terminar.

Em resumo, o Jawbox é uma das bandas que contribuiu para que qualquer artista atual utilize compassos irregulares e estruturas harmônicas não tradicionais e ainda assim possa soar cantarolável e relativamente acessível. Pago um pau.

Se cuidem e até,

Z

TOP FIVE DA SEMANA

– Café Cappuccino com Bauru no “Nosso Empório”;

– Esquenta na casa do Norivas assistindo DVD´s do R.E.M. ,Morrisey e outros;

– O Blog “http://forgettheradio.tumblr.com” só com coisas bacanas;

– Decoração;

– O novo do The Life and Times (“Tragic Boogie”);

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ROLLKICKER LAYDOWN

Agosto 22, 2009 at 11:08 pm (Uncategorized)

rkldar5Essa é para os fãs das coisas do J Robbins (como eu): dizem que o Rollkicker Laydown foi uma versao post-hardcore do Travelling Willburys. O grupo era formado por membros de bandas importantes do cenario de Washington DC como  Government Issue (provavelmente a banda hardcore/punk de DC mais subapreciada), Jawbox, Gray Matter e Wool.

O Rollkicker Laydown era formado pelo guitarrista Tom Lyle (do G.I.), pelo baterista Peter Moffett (tambem do G.I., na epoca no Wool e mais tarde no insuperavel Burning Airlines), pelo vocalista background Geoff Turner (Gray Matter) e por J Robbins no baixo e vocal principal (na epoca guitarrista e cantor do Jawbox).

O projeto durou menos do que um piscar de olhos e deixou duas cancoes gravadas em um compacto lancado no ano de 1993 pela Desoto Records. A gravação foi produzida pelo mago do pos-punk indie americano, Iain Burgess (Big Black e Effigies).

As duas musicas do compacto (“No Voices In The Wire” e “Cut”) lembram mais o Jawbox do que qualquer outro projeto relacionado no currículo dos envolvidos (a primeira chegou ate mesmo a ser executada pelo Burning Airlines anos mais tarde).

Como alguém já balbuciou por ai, quem aprecia o post-hardcore de Washington DC do começo dos 90 deve concordar que o único disco do Rollkicker Laydown é um dos singles mais legais. E esse ninguem ouviu mesmo.

Considerando que será praticamente impossível encontrar o disco para vender (que só saiu em vinil para “complicar” mais ainda as coisas), segue o link pra baixar esta raríssima e fugaz belezinha.

No mais, desculpem-me pela sumida, se cuidem e ate,

Z

TOP FIVE DA SEMANA

– “CQC – Custe o que Custar” da Band;

– Dinosaur Jr. – “Farm”;

– Pegar folga sexta-feira à tarde;

– Compor novas canções com o Alva;

– Tocar “Areia Movediça” com o Sylverdale (musica que compus e cedi para os caras);

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