Metallica em São Paulo – 31/01

Fevereiro 19, 2010 at 11:58 pm (Uncategorized)

Uma noite memorável pra mim que sou fãozão do Metallica desde moleque.

Segue o relato do show, já publicado no Orelhada do chapa Rubens Herbst na semana passada:

Ao contrário da apresentação de sábado (30), o terceiro e último show da “Death Magnetic Tour” no Brasil começou com chuva. A banda de abertura, o Sepultura, entrou no palco às 19h em ponto e fez um show competente que privilegiou músicas dos discos “Chaos A.D.”, “Arise” e “Beneath the remains” e algumas canções dos últimos trabalhos. Às 20h10, o quarteto brasileiro terminou e imediatamente já começou a troca de palco. A chuva continuava. Alguns minutos passam do horário previsto para a entrada do Metallica e o público, aflito, começa a chamá-lo. Foi aí que, em uma curiosa coincidência, o céu passa a exibir raios entre as nuvens, exatamente como na capa do clássico “Ride The Lightining” (1984).

Às 20h45, as luzes se apagaram e começa a clássica e emocionante introdução usada nos shows da banda: “Ecstasy of Gold”, de Ennio Morricon,e com imagens nos telões do clássico filme de guerra “Johnny Got His Gun” (1971). Foi aí que, como mágica ou por ordem dos deuses, a chuva parou.

O palco impressiona: uma estrutura gigante com dois andares, 8 ou 10 microfones espalhados ao longo dela e um mega-telão atrás. Apesar de grande, o palco não é alto e dá para ver perfeitamente os músicos em ação. E como em todos os shows da turnê, os caras entram com o clássico “Creeping Death”. O estádio treme e o público canta junto. Na seqüência, emendam “Ride the Lightining”.

Aí é que veio a primeira surpresa: a banda tirou da cartola “Fuel”, do pouco cultuado disco “Reload” (1997). A música ganha uma nova cara ao vivo, com muito peso e a banda perfeitamente entrosada. O calor e receptividade do público é tamanho que estes senhores, em sua maioria beirando os 50 anos, são só sorrisos.

Pequena pausa para conversar com o público. James Hetfiled conta que seus amigos do Sepultura disseram que os brasileiros gostam é de peso. E pergunta; “Do you want heavy?” O público responde e o vocalista completa dizendo “se você quer peso rapaz, o Metallica te dá peso!” E começa “Sad But True”, do clássico “Black Album” (1991). O estádio inteira pula. Depois disso, as luzes se apagam e James surge na parte superior do palco empunhando um violão, que puxa a bombada e, ao que parece, inédita na turnê brasileira: “The Unforgiven”. Ao longo da música, Hetfiled intercala violão e guitarra com maestria.

Depois disso, vem a introdução de “That Was Just Your Life”, seguida por “The End of The Line”, ambas do mais recente “Death Magnetic” (2008). O público responde em êxtase e canta as letras das músicas novas com precisão. Todos os músicos se movimentam muito durante o show, trocam de posições e cobrem toda a extensão do palco usando todos os microfones posicionados. A destreza impressiona e a banda executa com perfeição as muitas transições e nuances destas duas longas e complexas composições.

As luzes se apagam novamente. Hetfiled surge outra vez no palco de cima e manda a introdução de “Welcome Home (Sanitarium)”, do clássico absoluto “Master of Puppets” (1986). O público responde insanamente. A banda provavelmente nunca soou tão bem executando seu material antigo.

Hetfiled então pede desculpas por não terem vindo da última vez, como prometeram. Depois, pergunta se o público aprovou “Death Magnetic”. O estádio responde positiva e efusivamente. As palavras soam quase como uma confissão do fracasso de crítica e vendas em torno do disco “St. Anger” (2003), álbum que remete a um período delicado da banda e que parece ter ficado para trás. A banda toca a nova “Cyanide”, que ao vivo fica ainda mais impressionante do que no disco, de onde sai sai também “My Apocalypse”.

Outra vez, as luzes desaparecem. Ao som de metralhadoras, chamas explodem do palco. Quem estava perto pôde sentir o calor no rosto. Realmente impressionante.

Hetfiled aparece em cima do palco outra vez e manda a introdução de “One”. Na parte pesada do final da música, as câmeras simulam a mesma fotografia do clipe da música. Com o público completamente dominado, a banda toca “Master of Puppets”. No final da música, Hetfield vai novamente ao andar superior do palco e, ao som de risadas insanas, estende suas mãos simulando a imagem da capa do disco em que mãos puxam cordas sobre um cemitério. Exatamente como na música, James faz às vezes de “mestre” e as pessoas no estádio representam os “fantoches” dominados.

Mas a porrada não termina. O pique dos caras é invejável e começa a introdução acústica de “Fight with Fire” até que tudo explode. Sem dúvida, a música mais porrada do show. Depois disso, luzes se apagam e Kirk Hammet aparece sozinho na frente do palco improvisando. O público urra. Em seguida, o guitarrista puxa a introdução da música mais calma da banda, “Nothing Else Matters”. Ao final do solo, sentado ao chão, Hetfield tem apenas as suas mãos, mostradas em close no telão.

É aí que Hetfield inicia “Enter Sandman”, momento em que os fãs mais antigos (que já não se impressionam com o maior hit dos caras) mordem a língua. A explosão inicial da música é acompanhada de fogos sincronizados e a banda cresce com uma força e peso inéditos até então. O estádio vem abaixo, com cerca de 50 mil pessoas cantando em uníssono. Emocionante. Justamente no auge do show, a banda deixa o palco.

Depois de poucos minutos, no inevitável bis, Hetfiled explica que aquele é o momento do set em que eles homenageiam as bandas que justificam a existência do Metallica. “Helpless”, do Diamond Head, é executada com certa tranqüilidade como que uma preparação para a porrada “Hit the Lights”, do “Kill ‘Em All” (1983). A banda simula deixar o palco e James faz-se de desentendido:”Está faltando alguma música?”. O estádio responde: “Seek and Destroy”.

O cantor diz: “Ok, vamos tocar esta pra vocês. Mas vamos precisar da sua ajuda. Vamos fazer história aqui, hoje. O Metallica tem os melhores fãs. Queremos que vocês dêem 110% e cantem e pulem conosco, então quero pedir que todas as luzes fiquem acesas”. Vem um novo clímax e a banda transpira paixão e alegria ao tocar um dos seus primeiros clássicos, que já conta com 27 anos. Os quatro se abraçam e, um a um, agradecem o público até deixarem o palco. Foram 2 horas de um show inesquecível.

Durante determinado momento do show, Hetfield indagou o público: “Vocês estão vivos?” A resposta é óbvia. Depois de presenciar uma das minhas bandas favoritas ao vivo, ele não poderia ser mais feliz ao resumir a sensação de êxtase de ter participado de tudo isso: “Sim, é tão bom estar vivo”.

O bagulho tava fróida!

Por hoje é isso!

Até,

Z

TOP FIVE DA SEMANA

– Show do Metallica em Sampa (dã) junto com os amigos Fischer e Fischinha;

– Carneiro na casa do Marcus e Gerusa junto com os anfitrioes, CH, Silvério e a Sardenta;

– Comprar cd´s na Amazon por troco de bala;

– Terminar a cozinha do apê;

– Ir para a praia com a Sardenta.

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